A memória mais antiga

Eu li uma vez... Na verdade, eu vi numa aula que toda vez que a gente relembra um episódio, essa lembrança passa novamente pelo processo de memorização, e que nisso, toda vez, essa memória fica vulnerável a mudanças. Essa ideia me assustava de alguma maneira. Eu queria minhas memórias intactas. Mas hoje, eu vou escolher que essa ideia me agrade. Eu quero pensar que toda vez que a gente relembra uma história, ela fica mais viva e cheia de detalhes. É uma nova oportunidade para enfeitar a nossa vida, torná-la mais colorida.

Então, eu não tenho certeza se a memória foi realmente assim. Mas o que eu vou contar aqui está muito vivo, mais real que nunca. 

Aquela sala no terceiro andar, ficava no lado esquerdo. O que vem antes não está muito claro: eu acredito que fui apresentado a turma de alguma forma, não sei exatamente como, ou por quem. Acho que haviam duas portas no mesmo corredor que davam para a mesma sala. Entrei pela segunda, mais próxima ao quadro negro, que devia tomar toda a parede, ou boa parte dela. Acho que a mesa do professor estava mais à direita da sala, à direita do professor (ou seria professora aquela hora?). O chão era de madeira, e eu sinceramente, não me lembro se eram ventiladores de teto ou de parede, mas com certeza, tinham ventiladores. A sala estava disposta em U. Interrompi minha narrativa para fazer um desenho:




De fato, minha memória me falha, da ordem que os fatos ocorreram. Eu lembro da Manu se posicionando no lado oposto ao meu na sala. Eu acredito que devia ser o início da aula (pois eu lembro dela sentando na carteira), ou talvez depois do intervalo (aí oh, primeira falha de memória). Mas como eu decido: Foi no 
Como a memória é minha, e eu tô rememorizando, eu decidi que foi no início da aula (pois eu lembro dela sentando na carteira), e não depois do intervalo, como meu cérebro fica sugerindo. Eu já estava sentado na minha carteira.

Ela estava com uniforme do colégio: Aquela camiseta cinza com uma faixa escrito AUXILIADORA, saia azul e o tênis, vou ficar devendo. Lembro que ela estava com um sorriso no rosto, bem estampado. Ela estava com os cabelos, bem pretos, presos. Devia estar cercada das fiéis escudeiras do vôlei, minhas também futuras amigas. Mas aqui entre nós: eu só tinha olhos pra Manu. Foi um tipo de amor à primeira vista, com certeza. 

Meu coração explodiu com a certeza da paixão quando eu vi que ela carregava o livro Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban. Esse viria a ser seu livro (e filme) favorito da série, mas naquela altura, nem ela e nem eu sabíamos: aquele era o livro mais recente lançado. Ali eu já sabia que não se tratava de uma garota comum - ela definitivamente era incrível. Eu nem sabia o quão certo eu estava naquele momento.

"Eu preciso ser amigo dela". Sim, Harry Potter foi determinante para esse pensamento. Mas acho curioso porque nessa memória recuperada e regravada, eu tenho certeza que o brilho dela ia muito além. Ela emanava uma energia, uma aura, era deveras uma divindade naquela sala de aula. Era o mesmo rosto que ela teve a vida toda, e o mesmo olhar. O mesmo que me olhou, naquele leito de hospital. Ela falou "Olha!", me acompanhou com os olhos e a cabeça, entregou a mão para mim, olhou pra May e disse "ainda estou em choque!". 

-Hoje é seu aniversário Manu! E eu quero te lembrar mais do que nunca. É o primeiro sem você aqui. O primeiro que você não vai ficar chateada por eu não ter mandado mensagem, e depois vai me perdoar...

Essa lembrança da Manu nesse dia de aula, que não sei se era o primeiro, mas eu tenho quase certeza que era, foi a memória que me fez chorar pela primeira vez. Eu lembrava dela naquele momento tão vivo, tão cheio de riso, alegria, brilho, e pensava em como ela estava chegando no final... Tanta coisa para a gente viver junto! O sonho de ir para Londres... -Minha amiga, eu ainda vou lá, e vou levar você comigo. A gente vai conhecer muita coisa. Você vai viver comigo, para sempre. 


Inauguração (parte 2) - Reloaded


Depois do belo texto de abertura do meu parceiro de blog, acho que não preciso explicar mais nada...

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Brincadeirinha!!!


Venho aqui também deixar algumas impressões minhas sobre o blog...


Saudosista que sou, que gosta de relembrar casos e acasos da infância e da minha recém saída adolescência, gosto muito de brincar de resgatar na memória fatos que marcaram a minha boa vida. Seja as tardes assistindo Jaspion na Manchete bem no começo dos anos 90, seja os 14 anos estudando no mesmo colégio ou os novos desafios encontrados na faculdade.

Tudo isso, somado aos mais diversos tipos de gostos, como filmes, bandas, livros, entre outras coisas preferidas, e também assuntos atuais, sérios ou nada haver, são sempre boas premissas para se começar a escrever.

E escrever é um desses gostos que eu e meu caro amigo e parceiro de blog adoramos fazer. Então a partir daí, resolvemos que um blog era o meio ideal para fazer isso.

Então tu me perguntas, porque vocês não escrevem um diário?! Oras... porque o blog é muito mais IN do que o diário que está OLD FASHIONED... hehehe, bem na verdade, a graça do blog é que é bem certo que outras pessoas o vejam, e se alguém vai vê, você quer logo deixar tudo bonito para que elas continuem a olhar, estimula um pouco daquele sentimento Voyer que todos temos. E por isso, o design, a forma de se escrever, as fotos, tudo é bem pensado para que transmita o perfil do seu dono ou donos e chame a atenção de leitores. O blog te faz ser criativo fazendo aquilo que mais gosta de fazer, no nosso caso, é escrever, sobre algo específico ou o que vier na telha. Escrever um livro seria legal também, mas por enquanto acho que não (ou sim...).

Por hora é isso, acho que escrevi demais, portanto, espero que você se divirta em lê nossos textos, pensamentos, acordos ou desacordos, e de repente, sinta até vontade de criar um blog para si mesmo.



Até mais!



Um pouco sobre mim: Manoela Moura, mais conhecida como Manú, estudante de Rádio e Tv, amante das Belas Artes, principalmente o Cinema. Séria para muitos, porém divertida pra quem verdadeiramente a conhece. Lê desde romances inusitados e açucarados da Meg Cabot ao terror de Edgar Alan Poe. Gosta de dias chuvosos, torta de morango e comprar DVDs. É um misto de dúvidas e incertezas, um mistério só.


Ouvindo: U2 - Beautiful Day


Inauguração

Então...
Antes de começar postando qualquer tipo de texto, acho ideal uma abertura para este blog.
Eu vou tentar escrever qual o objetivo do blog para mim, e acredito que minha parceira de blog também tentará fazer o mesmo.

Algumas perguntas para nos ajudar a entender o blog...

O que é Clube da Maioridade na verdade?
Clube da Maioridade tem um contexto bem histórico, o que não é muito a minha área, mas até onde eu lembro, é um grupo (ou movimento?) que apoiou a coroação de D. Pedro II, e foi assim chamado porque D. Pedro II ainda não era maior de idade para assumir o trono. Foi na época do Brasil Imperio, em 1831 (recém-pesquisado, podem confiar!)

Por que diabos Clube da Maioridade?
Na verdade, isso também não é claro para mim (minha memória não vai tão longe). Mas aqui vai a minha teoria: a idéia de montar um blog é antiga, e junto com ela, a necessidade de um nome. Em uma aula de história perdida no ensino fundamental, buscando a possibilidade de um nome, eis que surge o Clube da Maioridade. Mas porque adotar esse nome? Na época era bem claro, nós não éramos maiores mas a idéia era de que a idade realmente não importava, e que o blog estaria no páreo para qualquer outro.

E qual o intuito do Clube da Maioridade?
É o simples fato de escrever. Escrever por escrever. Sobre o que? Sobre o que der na telha..! Sobre tudo ou sobre nada. Sobre um assunto do cotidiano, ou sobre um assunto específico e desconhecido. Este blog existe pelo simples fato de que existem duas pessoas, muito muito amigas, que tem muitas afinidades e esperam que essa seja mais uma delas! E é claro, existe para que um dia tenha leitores, e pessoas que acompanhem este blog.. Sim e porque não?


Acho que básicamente é isso. O meu primeiro texto está em andamento, e tenho certeza que o da Manu também.

Um pouco sobre mim: Flávio Cardoso, vulgo Manaus, estudante de química frustrado, que não gosta do que faz, mas faz. Aplicado, esforçado, mas apenas quando se interessa. Tem um lado extremamente nerd, e ao mesmo tempo não. Aprecia a vida universitária como ninguém, e não troca a liberdade de morar fora de casa por nada (que na verdade é o que o mantém na faculdade).

Sem mais por hoje.